Pesquisadores, juristas e ativistas reunidos no LAAI-Ethics 2026 para debater governança, direitos digitais e o futuro de uma IA centrada na vida humana.
🏛️ Sheffield Hallam University
🇬🇧 Reino Unido
Resumo completo
Quando observamos as diferentes ferramentas digitais que a juventude usa; como redes sociais, sistemas de recomendação, chatbots, plataformas educacionais, jogos e biometrias; é possível identificar um tipo específico de IA que está influenciando cada vez mais a forma como as crianças aprendem, se comunicam, desenvolvem relacionamentos e compreendem o mundo. A grande maioria desses sistemas não é projetada primordialmente para o bem-estar infantil, mas sim para maximizar a deterioração do desenvolvimento, a coleta/vigilância de dados e o explicitamente lucro das BigTechs. Nessa conversa, faremos uma discussão, do ponto de vista técnico, sobre a crescente tensão entre os BigTechIA e os direitos da criança, sob a perspectiva da Lei de Proteção da Criança e do Adolescente (ECA Digital) do Brasil. A nova legislação representa uma importante mudança, passando de uma proteção reativa para uma abordagem baseada em direitos, que coloca a segurança, a privacidade, a dignidade e o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes no centro do design digital, mas com ainda muitos pontos que desconsideram a capacidade técnica disponível.
Biografia
Márjory é Professora de Inteligência Artificial Ética na Sheffield Hallam University (Reino Unido). Ela lidera o tema "IA Responsável, Ética e Centrada na Vida" no Centro de Excelência em IA e Robótica. Sua principal área de pesquisa foca na computação orientada aos impactos sociais e IA explicável com ênfase em aspectos legais e educacionais dos usos da BigTechIA. Ela é uma ativista em temas relacionados à IA, bem como na regulamentação da IA e no Direito Digital. Ela é FEMINISTA e defensora da presença feminina na ciência.
🏛️Rádio Yandê, Mani Bank e Yby Festival
Ministro Chef Zulu, Universal Zulu Nation (UZN). Conselho Municipal de Política Cultural da Cidade do Rio de Janeiro. Museu Nacional dos Povos Indígenas. MOVI PDT Nacional
🇧🇷 Brasil
Resumo completo
A palestra propõe uma reflexão sobre o desenvolvimento de uma inteligência artificial indígena própria, construída a partir de protocolos comunitários de ética, dados, memória, território e governança. Em vez de tratar os povos indígenas apenas como objetos de pesquisa, usuários finais ou populações impactadas pela tecnologia, a proposta é reposicioná-los como sujeitos produtores de conhecimento, arquitetos de sistemas e formuladores de princípios éticos para os futuros digitais. A partir da experiência com a Etnomídia Indígena, a Rádio Yandê, pesquisas em IA Indígena e debates sobre soberania informacional, a apresentação discutirá os limites dos modelos universais de ética em IA quando desconsideram colonialidade, racismo algorítmico, extração de dados, epistemicídio e desigualdades históricas. A fala também abordará a importância de protocolos comunitários, consentimento coletivo, proteção de saberes tradicionais, governança territorial dos dados e criação de tecnologias que respeitem os modos próprios de existência, decisão e futuro dos povos originários.
Biografia
Anápuàka Muniz Tupinambá Hãhãhãe é comunicador indígena, jornalista, pesquisador, empreendedor e criador do conceito de Etnomídia Indígena no Brasil. É fundador e CEO da Rádio Yandê, primeira web rádio indígena do país, idealizador do Yby Festival e criador do Mani Bank. Atua na articulação entre comunicação, tecnologia, cultura, política, soberania informacional, IA Indígena e protocolos comunitários de ética e dados. Seu trabalho propõe caminhos para que os povos indígenas sejam protagonistas na construção de narrativas, infraestruturas digitais e futuros tecnológicos a partir de seus próprios territórios, memórias e epistemologias.