🏛️ Sheffield Hallam University
🇬🇧 Reino Unido
Resumo completo
Quando observamos as diferentes ferramentas digitais que a juventude usa; como redes sociais, sistemas de recomendação, chatbots, plataformas educacionais, jogos e biometrias; é possível identificar um tipo específico de IA que está influenciando cada vez mais a forma como as crianças aprendem, se comunicam, desenvolvem relacionamentos e compreendem o mundo. A grande maioria desses sistemas não é projetada primordialmente para o bem-estar infantil, mas sim para maximizar a deterioração do desenvolvimento, a coleta/vigilância de dados e o explicitamente lucro das BigTechs. Nessa conversa, faremos uma discussão, do ponto de vista técnico, sobre a crescente tensão entre os BigTechIA e os direitos da criança, sob a perspectiva da Lei de Proteção da Criança e do Adolescente (ECA Digital) do Brasil. A nova legislação representa uma importante mudança, passando de uma proteção reativa para uma abordagem baseada em direitos, que coloca a segurança, a privacidade, a dignidade e o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes no centro do design digital, mas com ainda muitos pontos que desconsideram a capacidade técnica disponível.
Biografia
Márjory é Professora de Inteligência Artificial Ética na Sheffield Hallam University (Reino Unido). Ela lidera o tema "IA Responsável, Ética e Centrada na Vida" no Centro de Excelência em IA e Robótica. Sua principal área de pesquisa foca na computação orientada aos impactos sociais e IA explicável com ênfase em aspectos legais e educacionais dos usos da BigTechIA. Ela é uma ativista em temas relacionados à IA, bem como na regulamentação da IA e no Direito Digital. Ela é FEMINISTA e defensora da presença feminina na ciência.
🏛️Rádio Yandê, Conselho Municipal de Política Cultural da Cidade do Rio de Janeiro.
🇧🇷 Brasil
Resumo completo
A palestra propõe uma reflexão sobre o desenvolvimento de uma inteligência artificial indígena própria, construída a partir de protocolos comunitários de ética, dados, memória, território e governança. Em vez de tratar os povos indígenas apenas como objetos de pesquisa, usuários finais ou populações impactadas pela tecnologia, a proposta é reposicioná-los como sujeitos produtores de conhecimento, arquitetos de sistemas e formuladores de princípios éticos para os futuros digitais. A partir da experiência com a Etnomídia Indígena, a Rádio Yandê, pesquisas em IA Indígena e debates sobre soberania informacional, a apresentação discutirá os limites dos modelos universais de ética em IA quando desconsideram colonialidade, racismo algorítmico, extração de dados, epistemicídio e desigualdades históricas. A fala também abordará a importância de protocolos comunitários, consentimento coletivo, proteção de saberes tradicionais, governança territorial dos dados e criação de tecnologias que respeitem os modos próprios de existência, decisão e futuro dos povos originários.
Biografia
Anápuàka Muniz Tupinambá Hãhãhãe é comunicador indígena, jornalista, pesquisador, empreendedor e criador do conceito de Etnomídia Indígena no Brasil. É fundador e CEO da Rádio Yandê, primeira web rádio indígena do país, idealizador do Yby Festival e criador do Mani Bank. Atua na articulação entre comunicação, tecnologia, cultura, política, soberania informacional, IA Indígena e protocolos comunitários de ética e dados. Seu trabalho propõe caminhos para que os povos indígenas sejam protagonistas na construção de narrativas, infraestruturas digitais e futuros tecnológicos a partir de seus próprios territórios, memórias e epistemologias.
🏛Instituto Kunumi /Universidade Federal de Minas Gerais
🇧🇷 Brasil
🏛Instituto de Computação - Universidade Federal Fluminense
🇧🇷 Brasil
Resumo completo
Nesta oficina introdutória, veremos de forma acessível como funcionam os Grandes Modelos de Linguagem (LLMs). Passaremos por uma breve linha do tempo da Inteligência Artificial, dos sistemas simbólicos de Processamento de Linguagem Natural até as arquiteturas baseadas em Transformers, base da chamada IA Generativa. Conceitos como redes neurais, mecanismos de atenção, big data e agentes serão explicados de maneira intuitiva, sem pré-requisitos de programação. Ao final, discutiremos de forma introdutória os principais limites e desafios desses sistemas, incluindo vieses, alucinações e questões éticas. O objetivo é construir um léxico e uma compreensão compartilhados entre os participantes do LAAI-Ethics sobre o funcionamento técnico dos LLMs.
Biografia
Aline Paes é Professora Associada de Inteligência Artificial no Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde atua como docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Computação e lidera o grupo de pesquisa Machine Learning and Language Learning (MeLLL-UFF). É editora associada de periódicos internacionais, entre eles Machine Learning (Springer), Natural Language Processing (Cambridge University Press), Journal of the Brazilian Computer Society e IBERAMIA Inteligencia Artificial. Sua pesquisa concentra-se em Aprendizado de Máquina para Processamento de Linguagem Natural, IA Generativa e Modelos de Linguagem Multilíngues, técnicas de adaptação para cenários de poucos recursos, aprendizado relacional, linguagem figurada, simplificação textual, IA para análise de ativos financeiros e aplicações de IA para impacto social, incluindo detecção de desinformação, discurso de ódio, vieses, propaganda e manipulação online. É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, Jovem Cientista do Nosso Estado (FAPERJ) e integrante de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) nas áreas de Inteligência Artificial e IA para o Bem Social.
Eduarda Chagas é pesquisadora em Inteligência Artificial no Instituto de Pesquisa Kunumi e doutoranda em Ciência da Computação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde integra o laboratório de pesquisa FutureLab.
Sua pesquisa abrange sistemas multi-agentes baseados em grandes modelos de linguagem, telemetria e controle do fluxo de informação em sistemas de IA. Também investiga métodos de geração de dados sintéticos e estruturados para o treinamento e a avaliação de modelos fundacionais, especialmente em cenários com dados escassos, sensíveis ou de acesso restrito.
Moderadora
Tatiana Pontes
RNP
Painelista
Alexandre Uchoa
RNP
Painelista
Fábio Porto
IIA – LNCC
Painelista
Fernanda Cruz
RNP
Painelista
Lucas Ornelas
RNP
Resumo
Em um cenário de rápida expansão das tecnologias emergentes, o letramento em Inteligência Artificial deixou de ser um diferencial técnico para se tornar uma dimensão essencial da cidadania contemporânea. Para navegar nessa transformação, é importante capacitar a sociedade como um todo para compreender não apenas o potencial da tecnologia, mas também desmistificar o que a IA é e o que ela não é — afastando noções equivocadas de infalibilidade, objetividade neutra ou consciência artificial. Este painel reúne duas iniciativas brasileiras de grande impacto no ecossistema de educação e capacitação em IA. Por um lado, o Instituto de IA do LNCC apresenta a experiência da Olimpíada de IA, uma estratégia inovadora para despertar o interesse de jovens talentos, fomentar o pensamento crítico e democratizar o acesso ao conhecimento em IA desde as etapas iniciais de formação. Por outro, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) detalha seu programa de Capacitação em IA, destacando a integração transdisciplinar de módulos focados em ética, governança e responsabilidade no desenvolvimento tecnológico. Ao conectar o engajamento de novos talentos com a formação profissional focada em ética, o painel discutirá desafios, metodologias e lições aprendidas, oferecendo caminhos práticos para fortalecer o letramento em IA na América Latina.
Biografias
Fernanda Cruz
Executiva de Tecnologia com mais de 20 anos de experiência em gestão estratégica de TI, inovação e transformação digital nos setores público e privado. Graduada em Direito, com pós-graduação em Gestão Estratégica de Tecnologia e Psicologia Organizacional, construiu uma trajetória em organizações como Globo.com, Esso, Shell, Oi, ANP e IBGE. Atualmente, ocupa o cargo de Diretora Adjunta de Tecnologia da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), sendo responsável pela estratégia e liderança das áreas de Engenharia de Sistemas, Dados e Inteligência Artificial, Infraestrutura, Projetos, Aprendizagem, Arquitetura e Governança de TI.
Alexandre Uchoa
Doutorando em Ciência da Computação pela UFRJ, liderou iniciativas de governança, gestão de dados e IA em empresas como Fininvest, Banco Bozano-Simonsen, BR Distribuidora, Petrobras, Elsevier e CAPES. Atualmente, é Especialista Senior em Gestão de Dados e IA na RNP, coordenou o serviço de Diagnóstico de Maturidade em Governança de Dados em instituições acadêmicas, e desenha e supervisiona tecnicamente provas de conceito de soluções de interoperabilidade de dados IA para instituições cliente da RNP.
Lucas Ornelas
Com mais de 10 anos de experiência em atendimento ao cliente, atua na melhoria dos processos e ferramentas de suporte da RNP. É pós-graduado em Gestão de TI, Data Science e Business Intelligence, com certificações em gerenciamento de projetos (PMP), Scrum Master, Design Thinking e ISO 20000, entre outras voltadas ao gerenciamento de serviços e à experiência do cliente.
Fábio Porto
Tecnologista senior do LNCC. É o fundador e atual Diretor do Instituto de Inteligência Artificial do LNCC e do Data Extreme Lab (DEXL Lab). Obteve seus títulos de Mestrado e Doutorado em Informática na Universidade PUC-Rio, em 1997 e 2001, respectivamente. Foi posdoc na EPFL, Suíça, entre 2004 e 2009, e pesquisador visitante na Universidade Nacional de Singapura, em 2020. É detentor da cadeira Internacional Inria (2024-2028), e foi Professor homenageado pela CAPES-CEBD, em 2025. Seu interesse de pesquisa está na modelagem, representação e processamento de dados para melhoria do processo de treinamento de modelos de IA, e em técnicas de aprendizado adequadas à predição de eventos raros. Já publicou mais de 150 artigos em conferências e revistas.
Moderador
Luiz Paulo Carvalho
UFRRJ
Painelista
Ingrid Ruela
aZMina
Painelista
Gracyelle Costa
UFRJ
Painelista
Leo Sampaio
ICMC-USP
Resumo
O painel tem o objetivo de promover uma discussão sobre como a IA e tecnologias emergentes afetam diferentes grupos populacionais. Esse debate é especialmente importante em uma região historicamente marcada por assimetrias e desigualdades como a América Latina. Neste painel esperamos ir além do diagnóstico dos problemas e mapear caminhos práticos para a construção de um ciclo de vida de IA genuinamente inclusivo.
Biografias
Luiz Paulo Carvalho
Luiz Paulo Carvalho é professor do Departamento de Computação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Doutor em Informática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Informática pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), atua principalmente nas áreas de Ética Computacional, Ética em Pesquisa e Metaciência, com ênfase no contexto acadêmico-científico da Computação brasileira. Sua atuação também abrange Sistemas de Informação, sistemas sociotécnicos e aspectos sociais e éticos da Computação. Atua como membro da Comissão de Inclusão, Diversidade e Equidade (CIDE) da Sociedade Brasileira de Computação (SBC).
Ingrid Ruela
Ingrid Fernandes é gerente de tecnologia do Instituto AzMina, onde coordena o desenvolvimento de produtos e soluções digitais orientados por dados para a promoção da igualdade de gênero, como a QuitérIA, inteligência artificial feminista do Elas no Congresso, e o aplicativo PenhaS. Formada em Midialogia pela Unicamp, é especialista em jornalismo de dados e segurança da informação e tem experiência em métricas e estratégias de audiência em veículos como UOL, Portal Lunetas e Agência Mural.
Gracyelle Costa Ferreira
Professora do Departamento de Política Social da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou pós-doutorado em Serviço Social na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e possui doutorado e mestrado em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Foi pesquisadora visitante no Hutchins Center for African & African American Research, da Harvard University, entre 2022 e 2023. Vencedora do Prêmio CAPES de Tese 2021, com a melhor tese do Brasil na área de Serviço Social. Especialista em Inteligência Artificial e Ciência de Dados, é coordenadora-geral do curso IA para Elas, desenvolvido em parceria com o Ministério das Mulheres e a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Desenvolve pesquisas sobre política social, desigualdades, inteligência artificial e seus desafios ético-políticos.
Leo Sampaio
Professora Doutora na USP, Leo se especializa na área de Visão Computacional. Durante o doutorado (USP) atuou sobre os subtemas de Aprendizado de Representações e Busca de Imagens. Foi pesquisadora em Pós-Doutorado na UNICAMP, onde iniciou o trabalho com o projeto Araceli (em andamento), atuando sobre o reconhecimento automático de conteúdos sensíveis sob protocolos de poucos dados e generalização; atualmente trabalha também tecnologia assistiva e os tópicos de ética, transparência e responsabilidade em aplicações de IA.
Moderadora
Thallita Lima
CESeC
Painelista
Ramon Costa
CGI
Painelista
Hugo Valadares Siqueira
MCTI
Painelista
Rogério Mascarenhas
MGI
Resumo
O Brasil desempenha um papel altamente relevante na América Latina e encontra-se em uma posição estratégica para liderar o debate sobre soberania digital, infraestrutura tecnológica e governança ética da IA na região. Nosso objetivo é consolidar o país como um polo regional de debate crítico e decolonial, desafiando a dependência de infraestruturas e modelos importados, e promovendo soluções de soberania de dados, datacenters sustentáveis e autonomia tecnológica fundamentadas na realidade do Sul Global.
A 2ª LAAI-Ethics visa criar um profundo impacto ao alinhar o avanço tecnológico à garantia de direitos, à sustentabilidade ambiental e à proteção de dados estratégicos do Estado e da sociedade.
Biografias
Thallita Lima
Thallita Lima é doutora e mestre em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e graduada em Relações Internacionais pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). É coordenadora de pesquisa no Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do curso de pós-graduação em Tecnologia e Inteligência Artificial em Ciências Criminais da PUCRS. É autora do livro Better Justice Through Better Science-Technology?: The Entanglements of Algorithms and Security and Legal Professionals (Palgrave Macmillan/Springer Nature, 2026). Foi professora de Relações Internacionais na UFRRJ, pesquisadora da rede DATAS/PUC-Rio, integrou o grupo de estudos em Interação Humano-Computador da Cátedra Oscar Sala/USP e foi Fellow em Surveillance Studies na Vrije Universiteit Brussel. Suas áreas de interesse incluem Estudos Críticos de Segurança Internacional, governança algorítmica, práticas de classificação e quantificação e Estudos de Ciência e Tecnologia (STS).
Hugo Valadares Siqueira
Possui graduação em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Campus Ilha Solteira (2006), mestrado (2009), doutorado (2013) e pós-doutorado (2014) pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Concluiu em 2017 o segundo estágio de pós-doutoramento na Escola Politécnica de Pernambuco da Universidade de Pernambuco (Poli-UPE) e Illinois State University - EUA. É Professor Associado 1 no Centro de Artes, Humanidades e Tecnologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e atualmente encontra-se cedido ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI atuando como Diretor do Departamento de Incentivo às Tecnologias Digitais (DEINC), na Secretaria de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital (SETAD).
Ramon Costa
Assessor Especialista do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Advogado e Professor da Graduação em Direito do Insper.
Rogério Mascarenhas
Rogério Mascarenhas é Especialista em Gestão de Negócios e Tecnologia da Informação, Governo Eletrônico e Ciência de Dados e Big Data. Tem 25 anos de experiência no setor público, tendo atuado no INSS, Dataprev e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Profissional com experiência na implantação de projetos complexos na área da tecnologia da informação, inovação tecnológica, planejamento estratégico, remodelagem organizacional, restruturação operacional, auditoria fiscal e governança corporativa.